CONTINUACÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE CAPÍTULO XVIII SÃO CHEGADOS OS TEMPOS Sinais dos tempos – itens 1 a 5

CONTINUACÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE

CAPÍTULO XVIII
SÃO CHEGADOS OS TEMPOS

Sinais dos tempos – itens 1 a 5

Sinais dos tempos
(1a. parte)

1.- São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da Humanidade. Em que sentido se devem entender essas palavras proféticas? Para os incrédulos, nenhuma importância têm; aos seus olhos, nada mais exprimem que uma crença pueril, sem fundamento. Para a maioria dos crentes,
elas apresentam qualquer coisa de místico e de sobrenatural, parecendo-lhes prenunciadoras da subversão das leis da Natureza. São igualmente errôneas ambas essas interpretações; a primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis.

2.- Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por inconciliável com a sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época está designada para a realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto.

Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso. Ele progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.

De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação, doutras vezes, de modo geral.

O progresso da Humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental
e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam
para a maturação dos frutos e sua colheita.

3.- Do fato de ser inevitável, porque é da natureza o movimento progressivo da Humanidade, não se segue que Deus lhe seja indiferente e que, depois de ter estabelecido leis, se haja recolhido à inação, deixando que as coisas caminhem por si sós.
Sem dúvida, suas leis são eternas e imutáveis, mas porque a sua própria vontade é eterna e constante e porque o seu pensamento anima sem interrupção todas as coisas. Esse pensamento, que em tudo penetra, é a força inteligente e permanente que mantém a harmonia em tudo. Cessasse ele um só instante de atuar e o Universo seria como um relógio sem pêndulo regulador. Deus, pois, vela incessantemente pela execução de suas leis e os Espíritos que povoam o espaço são seus ministros, encarregados de atender aos pormenores, dentro de atribuições que correspondem ao grau de adiantamento que tenham alcançado.

4.- O Universo é, ao mesmo tempo, um mecanismo incomensurável, acionado por um número incontável de inteligências, e um imenso governo em o qual cada ser inteligente tem a sua parte de ação sob as vistas do soberano Senhor, cuja vontade única mantém por toda parte a unidade. Sob o império dessa vasta potência reguladora, tudo se move, tudo funciona em perfeita ordem. Onde nos parece haver perturbações, o que há são movimentos parciais e isolados, que se nos afiguram irregulares apenas porque circunscrita é a nossa visão. Se lhes pudéssemos abarcar o conjunto, veríamos que tais irregularidades são apenas aparentes e que se harmonizam com o todo.

5.- A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram
a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes
assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas,
restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas
de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.

Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da Humanidade. Essa fase, que
neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade viril o é da juventude. Ela
podia, pois, ser prevista e predita de antemão e é por isso que se diz que são chegados os tempos determinados por Deus.

(extraído do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, editora FEB)

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) De que modo a lei do progresso atua sobre os mundos?

b) De que maneira ocorre esse progresso?

c) Como a Providência atua para esse progresso?

d) As mudanças que advirão no Planeta deverão ser de ordem material ou espiritual?
C O N C L U S Ã O

São chegados os tempos marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da Humanidade. Tudo na criação é harmonia. Tudo revela uma Previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas.
O nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso, que, como todas as leis da Natureza, são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas. Não resultam de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) De que modo a lei do progresso atua sobre os mundos?

R – À exceção de Deus, tudo o que existe no Universo – espírito e matéria – está sujeito à lei do progresso. A Terra, como todos os mundos, progride, paralelamente, no campo físico e no campo moral. Fisicamente, pela transformação dos seus elementos constitutivos, como comprova a ciência, sofrendo transformações que a tornam habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados e, moralmente, pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes de seus habitantes. Esse progresso se dá tanto pela ação das forças materiais como pelos esforços do homem, empregando sua inteligência para sanear regiões insalubres, facilitar a comunicação e tornar mais produtiva a terra.

b) De que maneira ocorre esse progresso?

R – De duas maneiras se executa o progresso: lenta, gradual e insensível ou por mudanças bruscas. Às vezes, de modo parcial, limitando-se a uma raça ou nação; doutras, de modo geral, alcançando toda humanidade. De qualquer modo, o progresso é fatal, pois resulta da vontade de Deus e está sujeito a leis de natureza divina, como se verificam com a germinação e a maturidade das plantas. Quando a humanidade se encontra madura, diz-se que são chegados os tempos para que a Terra suba um degrau na escala do progresso, como chega o tempo para a colheita dos frutos.

c) Como a Providência atua para esse progresso?

R – A Providência atua para que o progresso se efetue através de suas leis eternas e imutáveis, que em tudo penetra e mantém a harmonia do todo. Cessasse de atuar e o Universo tornar-se-ia um caos, desgovernado como um relógio sem pêndulo. Deus vela pela execução de suas leis através dos Espíritos que povoam o espaço e que são seus ministros encarregados de atribuições compatíveis com o seu grau de adiantamento. Sob a vontade única de Deus, a unidade é mantida por toda a parte, tudo se movendo e funcionando em perfeita ordem. As perturbações aparentes são movimentos parciais e isolados, que, observadas em seu conjunto, harmonizam-se com o todo.

d) As mudanças que advirão no Planeta deverão ser de ordem material ou espiritual?

R – Na ordem material, a humanidade tem realizado progressos incontestáveis, alcançando, com a sua inteligência, resultados importantes no campo das ciências, artes e bem-estar material. Na ordem espiritual, porém, resta um imenso progresso a realizar, fazendo-se reinar a caridade, a fraternidade e a solidariedade que lhe assegurem o bem-estar moral. Para tanto, não basta desenvolver a inteligência. Será preciso destruir o egoísmo e o orgulho ainda presentes no homem, o que exige mudança em suas crenças e nas instituições antiquadas ainda vigentes, que serviram em certa época, mas que, hoje, constituem-se um entrave ao progresso. É nesse período que a Terra está entrando, sucedendo o estado anterior, como a idade adulta sucede a juventude. Tendo sido predito esse período, diz-se que são chegados os tempos determinados por Deus.

Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da Humanidade. Essa fase, que
neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade viril o é da juventude. Ela
podia, pois, ser prevista e predita de antemão e é por isso que se diz que são chegados os tempos determinados por Deus.

FONTE:
CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

CONTINUACÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE CAPÍTULO XVIII SÃO CHEGADOS OS TEMPOS Sinais dos tempos (2ª parte) – itens 6 a 8

CONTINUACÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE

CAPÍTULO XVIII
SÃO CHEGADOS OS TEMPOS

Sinais dos tempos (2ª parte) – itens 6 a 8

6.- Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a

uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende
estabelecer-se, e os homens, que mais opostos lhe são, para ela trabalham a seu mau grado. A geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada de elementos mais depurados, se achará possuída de idéias e de sentimentos muito diversos dos da geração presente, que se vai a passo de gigante. O velho mundo estará morto e apenas viverá na História,
como o estão hoje os tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas.

Aliás, todos sabem quanto ainda deixa a desejar a atual ordem de coisas. Depois de se haver, de certo modo, considerado
todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos,
aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor.

7 – Mas, uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções. Há, inevitavelmente, luta de idéias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se ache aplanado e restabelecido o equilíbrio. É, pois, da luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais foram conseqüência do estado de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade.

8. – Se a Terra já não tem que temer os cataclismos gerais, nem por isso deixa de estar sujeita a periódicas revoluções, cujas causas, do ponto de vista científico, se encontram explicadas nas instruções seguintes, promanantes de dois Espíritos eminentes (v. nota):

«Cada corpo celeste, além das leis simples que presidem à divisão dos dias e das noites, das estações, etc, experimenta revoluções que demandam milhares de séculos para sua realização completa, porém que, como as revoluções mais breves, passam por todos os períodos, desde o de nascimento até o de um máximo de efeito, após o qual há decrescimento, até o limite extremo, para recomeçar em seguida o percurso das mesmas fases.

«O homem apenas apreende as fases de duração relativamente curta e cuja periodicidade ele pode comprovar. Algumas, no entanto, há que abrangem longas gerações de seres e, até, sucessões de raças, revoluções essas cujos efeitos, conseguintemente, se lhe apresentam com caráter de novidade e de espontaneidade, ao passo que, se seu olhar pudesse projetar-se para trás alguns milhares de séculos, veria, entre aqueles mesmos efeitos e suas causas, uma correlação de que nem sequer suspeita. Esses períodos que, pela sua extensão relativa, confundem a imaginação dos humanos, não são, contudo, mais do que instantes na duração eterna.

«Num mesmo sistema planetário, todos os corpos que o constituem reagem uns sobre os outros; todas as influências físicas são nele solidárias e nem um só há, dos efeitos que designais pelo nome de grandes perturbações, que não seja conseqüência da componente das influências de todo o sistema.

«Vou mais longe: digo que os sistemas planetários reagem uns sobre os outros, na razão da proximidade ou do afastamento resultantes do movimento de translação deles, através das miríades de sistemas que compõem a nossa nebulosa. Ainda vou mais longe: digo que a nossa nebulosa, que é um como arquipélago na imensidade, tendo também seu movimento de translação através das miríades de nebulosas, sofre a influência das de que ela se aproxima.

«De sorte que as nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, corno os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros e assim sucessivamente até ao átomo.
Dal, em cada mundo, revoluções locais ou gerais, que se não parecem perturbações porque a brevidade da vida não permite se lhes percebam mais do que os efeitos parciais.

«A matéria orgânica não poderia escapar a essas influências; as perturbações que ela sofre podem, pois, alterar o estado físico dos seres vivos e determinar algumas dessas enfermidades que atacam de modo geral as plantas, os animais e os homens, enfermidades que, como todos os flagelos, são, para a inteligência humana, um estimulante que a impele, por forca da
necessidade, a procurar meios de os combater e a descobrir leis da Natureza.

«Mas a matéria orgânica, a seu turno, reage sobre o Espírito. Este, pelo seu contacto e sua ligação íntima com os elementos materiais, também sofre influências que lhe modificam as disposições, sem, no entanto, privá-lo do livre-arbítrio, que lhe sobreexcitam ou atenuam a atividade e que, pois, contribuem para o seu desenvolvimento. A efervescência que por vezes se manifesta em toda uma população, entre os homens de uma mesma raça, não é coisa fortuita, nem resultado de um capricho; tem sua causa nas leis da Natureza. Essa efervescência, inconsciente a princípio, não passando de vago desejo, de aspiração indefinida por alguma coisa melhor, de certa necessidade de mudança, traduz-se por uma surda agitação, depois por atos que levam às revoluções sociais, que, acreditai-o, também têm sua periodícidade, como as revoluções físicas, pois que tudo se encadela. Se não tivésseis a visão espiritual limítada pelo véu da matéria, veríeis as correntes fluídicas que, como milhares de fios condutores, ligam as coisas do mundo espiritual às do mundo material.

«Quando se vos diz que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra tem que se elevar na hierarquia
dos mundos, nada de místico vejais nessas palavras; vede, ao contrário, a execução da uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má-vontade humana.» (ARAGO)

Nota – Extrato de duas comunicações dadas na Sociedade de Paris e publicadas na Revue Spirite de outubro de 1868, pág. 313. São corolários das de Galileu, reproduzidas no capítulo VI e complementares do capítulo IX, sobre as revoluções do globo:
(extraído do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, editora FEB)

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) As mudanças necessárias à transformação da Terra terão de ser de ordem parcial ou geral?

b) Essas transformações dar-se-ão através de grandes comoções?

c) Segundo o espírito Arago, como se dão as transformações materiais que afetam os planetas?

d) Por que nem sempre o homem percebe essas transformações?

e) Quais as suas conseqüências para a vida terrena?

f) Que influência exercem sobre o espírito?
C O N C L U S Ã O

A Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento. Tendo chegado a um desses períodos de crescimento, o homem está no trabalho da sua transformação, pelo que a vemos agitar-se de todos os lados.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) As mudanças necessárias à transformação da Terra terão de ser de ordem parcial ou geral?

R – A transformação por que passa a Terra neste momento não é parcial, pois não está limitada a uma região, a um povo ou a uma raça. Trata-se de uma mudança na ordem geral do planeta, com o objetivo de operar o seu progresso moral e estabelecer uma nova ordem de coisas. A geração futura será formada de espíritos mais depurados, com sentimentos e idéias diferentes dos atuais. Havendo conquistado progressos quanto ao bem-estar material, a transformação dar-se-á no desenvolvimento moral.

b) Essas transformações dar-se-ão através de grandes comoções?

R – As transformações em curso não se darão através de comoções puramente materiais, comuns à época da formação do planeta. No entanto, haverá, inevitavelmente, luta de idéias, gerando perturbações passageiras até que o equilíbrio seja restabelecido. Como afirma Kardec, “hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade”.

c) Segundo o espírito Arago, como se dão as transformações materiais que afetam os planetas?

R – Explica o espírito Arago que, além dos movimentos em torno de si mesma e em torno do Sol, que definem os dias, as noites e as estações do ano, a Terra está sujeita a revoluções periódicas, que demandam milhares de séculos para se realizarem completamente. Estas revoluções, que provocam transformações de ordem material no Planeta, têm como causa a influência que os corpos celestes exercem uns sobre os outros, conforme a proximidade em que se encontrem e as suas respectivas posições. Como esclarece a mensagem, “num mesmo sistema planetário, todos os corpos que o constituem reagem uns sobre os outros; todas as influências físicas são nele solidárias e nem um só há, dos efeitos que designais pelo nome de grandes perturbações, que não seja conseqüência da componente das influências de todo o sistema”.

“De sorte que as nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, corno os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros e assim sucessivamente até ao átomo.
Daí, em cada mundo, revoluções locais ou gerais, que se não parecem perturbações porque a brevidade da vida não permite
se lhes percebam mais do que os efeitos parciais”, complementa o Espírito.

d) Por que nem sempre o homem percebe essas transformações?

R – A marcha progressiva da Humanidade se opera de forma lenta, gradual e imperceptível, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis e nos usos, mas que só com a continuação se podem perceber ou por movimentos relativamente bruscos, que caracterizam as grandes comoções. O homem, de momento, apenas percebe as fases de duração relativamente curta e cuja periodicidade ele pode comprovar. As que abrangem períodos de longas durações, no entanto, atingem gerações inteiras e, até, sucessões de raças. Estas, embora perante a eternidade não passem de instantes, para o homem são períodos de longa extensão, que não podem ser percebidos durante uma encarnação.

e) Quais as suas conseqüências para a vida terrena?

R – As revoluções periódicas a que está sujeito o Planeta produz conseqüências na sua matéria orgânica. Essas influências exercidas sobre a matéria orgânica podem alterar o estado físico dos seres vivos existentes na Terra, inclusive ocasionando algum tipo de enfermidade, tanto nas plantas, como nos animais e no próprio homem. São a causa de muitos dos flagelos que, de tempos em tempos, atingem a humanidade e que servem como estímulo ao desenvolvimento da sua inteligência, impulsionado pela necessidade de encontrar meios de os combater.

f) Que influência exercem sobre o espírito?

R – O espírito, pelo contacto e ligação íntima que mantém com a matéria, sofre, também, influência das disposições que a modificam, por intermédio das correntes fluídicas que funcionam como fios condutores ligando as coisas do mundo espiritual às do mundo material.

FONTE:

1998-2009 | CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE – CAPÍTULO XVII: PREDIÇÕES DO EVANGELHO – Itens 62 a 67: Juízo final

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE

CAPÍTULO XVII

PREDIÇÕES DO EVANGELHO

Itens 62 a 67

Juízo final

62. – Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; – e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas,
e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes. – Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, etc. (São Mateus, cap. XXV, vv. 31 a 46. – O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV.)

63. – Tendo que reinar na Terra o bem, necessário é sejam dela excluídos os Espíritos endurecidos no mal e que possam acarretar-lhe perturbações. Deus permitiu que eles aí permanecessem o tempo de que precisavam para se melhorarem; mas, chegado o momento em que, pelo progresso moral de seus habitantes, o globo terráqueo tem de ascender na hierarquia dos mundos, interdito será ele, como morada, a encarnados e desencarnados que não hajam aproveitado os ensinamentos que uns e outros se achavam em condições de aí receber. Serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, vindo substituí-los Espíritos melhores. Essa separação, a que Jesus presidirá, é que se acha figurada por estas palavras sobre o juízo final: «Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda.» (Cap. XI, nos 31 e seguintes.)

64. – A doutrina de um juízo final, único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus, durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição. Que utilidade teriam então o Sol, a Lua e as estrelas que, segundo a Gênese, foram feitos para iluminar o mundo? Causa espanto que tão imensa obra se haja produzido para tão pouco tempo e a beneficio de seres votados de antemão, em sua maioria, aos suplícios eternos.

65. – Materialmente, a idéia de um julgamento único seria, até certo ponto, admissível para os que não procuram a razão das coisas, quando se cria que a Humanidade toda se achava concentrada na Terra e que para seus habitantes fora feito tudo o que o Universo contém. É, porém, inadmissível, desde que se sabe que há milhares de milhares de mundos semelhantes, que perpetuam as Humanidades pela eternidade em fora e entre os quais a Terra é dos menos consideráveis, simples ponto imperceptível.

Vê-se, só por este fato, que Jesus tinha razão de declarar a seus discípulos: «Há muitas coisas que não vos posso dizer, porque não as compreenderíeis», dado que o progresso das ciências era indispensável para uma interpretação legítima de algumas de suas palavras. Certamente, os apóstolos S. Paulo e os primeiros discípulos teriam estabelecido de modo muito diverso alguns dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que hoje possuímos. Daí vem o ter Jesus adiado a completação de seus ensinos e anunciado que todas as coisas haviam de ser restabelecidas.

66. – Moralmente, um juízo definitivo e sem apelação não se concilia com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta de contínuo como um bom Pai, que deixa sempre aberta uma senda para o arrependimento e que está pronto sempre a estender os braços ao filho pródigo. Se Jesus entendesse o juízo naquele sentido, desmentiria suas próprias palavras.

Ao demais, se o juízo final houvesse de apanhar de improviso os homens, em meio de seus trabalhos ordinários, e grávidas as mulheres, caberia perguntar-se com que fim Deus, que não faz coisa alguma inútil ou injusta, faria nascessem crianças e criaria almas novas naquele momento supremo, no termo fatal da Humanidade. Seria para submetê-las a julgamento logo ao saírem do ventre materno, antes de terem consciência de si mesmas, quando, a outros, milhares de anos foram concedidos para se inteirarem do que respeita à própria individualidade? Para que lado, direito ou esquerdo, iriam essas almas, que ainda não são nem boas nem más e para as quais, no entanto, todos os caminhos de ulterior progresso se encontrariam desde então fechados, visto que a Humanidade não mais existiria? (Cap. II, nº 19.)

Conservem-nas os que se contentam com semelhantes crenças; estão no seu direito e ninguém nada tem que dizer a isso; mas, não achem mau que nem toda gente partilhe delas.

67. – O juízo, pelo processo da emigração, conforme ficou explicado acima (nº 63), é racional; funda-se na mais rigorosa justiça, visto que conserva para o Espírito, eternamente, o seu livre-arbítrio; não constitui privilégio para ninguém; a todas as suas criaturas, sem exceção alguma, concede Deus igual liberdade de ação para progredirem; o próprio aniquilamento de um mundo, acarretando a destruição do corpo, nenhuma interrupção ocasionará à marcha progressiva do Espírito. Tais as conseqüências da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências.

Segundo essa interpretação, não é exata a qualificação de juízo final, pois que os Espíritos passam por análogas fieiras a cada renovação dos mundos por eles habitados, até que atinjam certo grau de perfeição. Não há, portanto, juízo final propriamente dito, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, por efeito das quais se operam as grandes emigrações e imigrações de Espíritos.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como devemos interpretar as palavras de Jesus: “quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; – e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como
um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes”?

b) É possível conciliar a doutrina de um juízo final único com os atributos de Deus?

c) O que vem a ser, na realidade, o Juízo Final?
C O N C L U S Ã O

Tendo que reinar na Terra o bem, necessário é sejam dela excluídos os espíritos endurecidos no mal e que possam acarretar-lhe perturbações. Essa separação, a que Jesus presidirá, é que se acha figurada por estas palavras sobre o juízo final: “Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda”. A doutrina de um juízo final único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus, durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Como devemos interpretar as palavras de Jesus: “quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; – e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes”?

R – Assim como os espíritos, os planetas também estão destinados à evolução, através do progresso moral e intelectual de sua humanidade. A Terra, em conseqüência desta determinação divina, terá que ascender na hierarquia dos mundos, deixando o estágio em que se encontra atualmente, de provas e de expiações, para se tornar um planeta de regeneração, destinado a
espíritos que já não perseverem no mal e cultivem o desejo de progredir moralmente.

Como vimos no estudo do capítulo XI, o movimento migratório de espíritos não se restringe ao limite da Terra. Do mesmo modo que se opera a renovação da população encarnada e desencarnada dentro do ambiente terreno, pelos nascimentos e mortes
dos corpos físicos, que é a rotina, também se efetua, individual ou coletivamente, movimentos migratórios entre os planetas. Esse movimento de chegada e partida coletiva de espíritos é determinado pela sabedoria divina, com a finalidade de acelerar a renovação da população de um planeta, introduzindo elementos espirituais mais depurados.

A predição de Jesus anunciando a vinda do “Filho do homem” para separar os bodes e as ovelhas, é uma figura que representa o processo de seleção dos espíritos que permanecerão na Terra, em sua nova situação. Aqueles que não hajam acolhido os seus ensinamentos e permanecerem endurecidos no mal não poderão continuar reencarnando na Terra, pois o seu atraso moral poderia acarretar perturbação à evolução do planeta. Tendo que reinar o bem, a eles será interdito aqui permanecerem, devendo ser exilados para mundos inferiores, compatíveis com seu nível de evolução moral, como o foram, outrora, os espíritos que vieram para formarem a raça adâmica. Esse processo de seleção, já iniciado, é presidido por Jesus, como ele anunciou: “Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda”.

b) É possível conciliar a doutrina de um juízo final único com os atributos de Deus?

R – A doutrina de um juízo final único e universal, pondo fim à vida terrena e direcionando seus habitantes para o céu ou o inferno não se coaduna com os atributos da Divindade. Toda a obra de Deus, incluindo o Sol, a Lua e as estrelas, perder-se-ia.
Somente esta conseqüência já serviria para demonstrar o absurdo desta doutrina, formulada com base na idéia de que a vida no Universo se restringe à Terra. Admitindo-se, porém, que há um número incalculável em planetas a ela semelhantes em todo o Universo, destinados à habitação de espíritos e que a Terra é um dos menos consideráveis, evidenciada fica a incoerência desta doutrina.

Por outro lado, a idéia de um juízo definitivo, inapelável, que não dá oportunidade de reabilitação às suas criaturas, não se concilia com a bondade infinita de Deus, cujas leis soberanas sempre deixa aos homens a possibilidade do arrependimento e
da reparação. Além disso, como explica Kardec, esse juízo final único, qualquer que fosse a época de sua aplicação, apanharia
de surpresa a humanidade em meio à sua evolução, inclusive crianças, que seriam submetidas ao julgamento definitivo mal
saídas do ventre materno, sem sequer terem tido tempo suficiente para tomarem consciência de si mesmas e para praticarem
o bem ou o mal. Como poderiam ser julgadas, se ainda não eram boas nem más? Seriam colocadas à direita ou à esquerda?
A conclusão não pode ser outra se não a de que um juízo final único contraria toda noção que Jesus nos trouxe a respeito de Deus.

c) O que vem a ser, na realidade, o Juízo Final?

R – O julgamento predito por Jesus dá-se pelo processo de migração de espíritos, mais conforme a justiça e bondade de Deus
do que o juízo único e definitivo. Segundo Kardec, o próprio termo “juízo final” é impróprio, pois o julgamento predito por Jesus não é único nem definitivo, uma vez que os espíritos passam por idêntica situação inúmeras vezes, a cada renovação dos mundos por eles habitados, até atingirem o grau de perfeição que lhes é possível e ao qual foram destinados. Esclarece, ainda, Kardec, que não há, na realidade, um juízo final, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, através dos quais se processam os movimentos migratórios de espíritos entre os planetas.

Fonte: CVDEE

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