CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE – CAPÍTULO XVII: PREDIÇÕES DO EVANGELHO – Sinais precursores -itens 47 e 58

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE
CAPÍTULO XVII
PREDIÇÕES DO EVANGELHO

Sinais precursores
-itens 47 e 58

Sinais precursores

47. – Também ouvireis falar de guerra e de rumores de guerra; tratai de não vos perturbardes, porquanto é
preciso que essas coisas se dêem; mas, ainda não será o fim – pois ver-se-á povo levantar-se contra povo e reino contra reino; e haverá pestes, fomes e tremores de terra em diversos lugares – todas essas coisas serão apenas o começo das dores. (S. Mateus, cap. XXIV, vv. 6 a 8.)

48. – Então, o irmão entregará o irmão para ser morto; os filhos se levantarão contra seus pais e suas mães e os farão morrer. – Sereis odiados de toda a gente por causa do meu nome; mas, aquele que perseverar até ao fim será salvo. (S. Marcos, cap. XIII, vv. 12 e 13.)

49. – Quando virdes que a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, está no lugar santo (que aquele que lê entenda bem o que lê); – fujam então para as montanhas
os que estiverem na Judéia (1); – não desça aquele que estiver no telhado, para levar de sua casa qualquer coisa; – e não volte para apanhar suas roupas aquele que estiver no campo. – Mas, ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentando
nesses dias. – Pedi a Deus que a vossa fuga não se dê durante o inverno, nem em dia de sábado – porquanto a aflição desse tempo será tão grande, como ainda não houve igual desde o
começo do mundo até o presente e como nunca mais haverá. – E se esses dias não fossem abreviados, nenhum homem se salvaria; mas esses dias serão abreviados em favor dos eleitos. (São Mateus, cap.XXIV, vv. 15 a 22.)

50. – Logo depois desses dias de aflição, o Sol se obscurecerá e a Lua deixará de dar sua luz; as estrelas cairão do céu e as potestades dos céus serão abaladas.

Então, o sinal do Filho do homem aparecerá no céu e todos os povos da Terra estarão em prantos e em gemidos e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com grande majestade.

Ele enviará seus anjos, que farão ouvir a voz retumbante de suas trombetas e que reunirão seus eleitos dos quatro cantos do mundo, de uma extremidade a outra do céu.

Aprendei uma comparação tirada da figueira. Quando seus ramos já estão tenros e dão folhas, sabeis que está
próximo o estio. – Do mesmo modo quando virdes todas essas coisas, sabei que vem próximo o Filho do homem, que ele se acha como que à porta.

Digo-vos, em verdade, que esta raça não passará, sem que todas essas coisas se tenham cumprido. (S. Mateus, cap. XXIV, vv. 29 a 34.)

E acontecerá no advento do Filho do homem o que aconteceu ao tempo de Noé – pois, como nos últimos tempos antes do dilúvio, os homens comiam e bebiam, se casavam e casavam seus
filhos, até ao dia em que Noé entrou na arca; – e assim como eles não conheceram o momento do dilúvio, senão quando este sobreveio e arrebatou toda a gente, assim também será no advento do Filho do homem. (São Mateus, cap.XXIV, vv. 37 a 39.)

51 – Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, mas somente o Pai. (S. Marcos, cap. XIII, v. 32.)

52. – Em verdade, em verdade vos digo: chorareis e gemereis, e o mundo se rejubilará; estareis em tristeza, mas a vossa tristeza se mudará em alegria. – Uma mulher, quando dá à luz, está
em dor, porque é vinda a sua hora; mas depois que ela dá à luz um filho, não mais se lembra de todos os males que sofreu, pela alegria que experimenta de haver posto no mundo um homem. – É assim que agora estais em tristeza; mas, eu vos verei de novo e o vosso coração rejubilará e ninguém vos arrebatará a vossa alegria. (S. João, cap. XVI, vv. 20 a 22.)

53. – Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; – e, porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará; – mas, aquele que perseverar até o fim será salvo. – E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações. É então que o fim chegará. (S.Mateus, cap. XXIV, vv. 11 a 14.)

54. – É evidentemente alegórico este quadro do fim dos tempos, como a maioria dos que Jesus compunha. Pelo seu vigor, as imagens que ele encerra são de natureza a impressionar inteligências ainda rudes. Para tocar fortemente aquelas imaginações pouco sutis, eram necessárias pinturas vigorosas, de cores bem acentuadas. Ele se dirigia principalmente ao povo,
aos homens menos esclarecidos, incapazes de compreender as abstrações metafísicas e de apanhar a delicadeza das formas. A fim de atingir o coração, fazia-se-lhe mister falar aos olhos, com o auxílio de sinais materiais, e aos ouvidos, por meio da força da linguagem.

Como conseqüência natural daquela disposição de espírito, à suprema potestade, segundo a crença de então, não era possível manifestar-se, a não ser por meio de fatos extraordinários, sobrenaturais. Quanto mais impossíveis fossem esses fatos, tanto mais facilmente aceita era a probabilidade deles.

O Filho do homem, a vir sobre nuvens, com grande majestade, cercado de seus anjos e ao som de trombetas, lhes parecia de muito maior imponência, do que a simples vinda de uma entidade investida apenas de poder moral.
Por isso mesmo, os judeus, que esperavam no Messias um rei terreno, mais poderoso do que todos os outros reis, destinado a colocar-lhes a nação à frente de todas as demais e a reerguer o trono de David e de Salomão, não quiseram reconhecê-lo no humilde filho de um carpinteiro, sem autoridade material.

No entanto, aquele pobre proletário da Judéia se tornou o maior entre os grandes; conquistou para a sua soberania maior
número de reinos, do que os mais poderosos potentados; exclusivamente com a sua palavra e o concurso de alguns miseráveis pescadores, revolucionou o mundo e a ele é que os judeus virão a dever sua reabilitação. Disse, pois, uma verdade, quando, respondendo a esta pergunta de Pilatos: «És rei?»
respondeu: «Tu o dizes.»

55. – É de notar-se que, entre os antigos, os tremores de terra e o obscurecimento do Sol eram acessórios forçados de todos
os acontecimentos e de todos os presságios sinistros. Com eles deparamos, por ocasião da morte de Jesus, da de César e
num sem-número de outras circunstâncias da história do paganismo. Se tais fenômenos se houvessem produzido tão amiudadas vezes quantas são relatados, fora de ter-se por impossível que os homens não houvessem guardado deles lembrança pela tradição. Aqui, acrescenta-se a queda de
estrelas do céu, como que a mostrar às gerações futuras, mais
esclarecidas, que não há nisso senão uma ficção, pois que agora se sabe que as estrelas não podem cair.

56. – Entretanto, sob essas alegorias, grandes verdades se ocultam. Há, primeiramente, a predição das calamidades de todo gênero que assolarão e dizimarão a Humanidade, calamidades decorrentes da luta suprema entre o bem e o mal, entre a fé e
a incredulidade, entre as idéias progressistas e as idéias retrógradas.
Há, em segundo lugar, a da difusão, por toda a Terra, do Evangelho restaurado na sua pureza primitiva; depois, a do reinado do bem, que será o da paz e da fraternidade universais, a derivar do código de moral evangélica, posto em prática por todos os povos. Será, verdadeiramente, o reino de Jesus, pois que ele presidirá à sua implantação, passando os homens a viver sob a égide da sua lei. Será o reinado da felicidade, porquanto
diz ele que – «depois dos dias de aflição, virão os de alegria».

57. – Quando sucederão tais coisas? «Ninguém o sabe, diz Jesus, nem mesmo o Filho.» Mas, quando chegar o momento, os homens serão advertidos por meio de sinais precursores. Esses indícios, porém, não estarão nem no Sol, nem nas estrelas; mostrar-se-ão no estado social e nos fenômenos mais de
ordem moral do que físicos e que, em parte, se podem deduzir das suas alusões.

É indubitável que aquela mutação não poderia operar-se em vida dos apóstolos, pois, do contrário, Jesus não lhe desconheceria o momento.
Aliás, semelhante transformação não era possível se desse dentro de apenas alguns anos. Contudo, dela lhes fala como se eles a houvessem de presenciar; é que, com efeito, eles poderão estar reencarnados quando a transformação se der e, até, colaborar na sua efetivação. Ele ora fala da sorte próxima de Jerusalém, ora toma esse fato por ponto de referência ao
que ocorreria no futuro.

58. – Será que, predizendo a sua segunda vinda, era o fim do mundo o que Jesus anunciava, dizendo: «Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim?»

Não é racional se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos.
Nada, aliás, nas palavras do Cristo, indica uma destruição universal que, em tais condições, não se justificaria.

Devendo a prática geral do Evangelho determinar grande melhora no estado moral dos homens, ela, por isso mesmo, trará o reinado do bem e acarretará a queda do mal. É, pois, o fim do mundo velho, do mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pelo fanatismo, pela incredulidade, pela cupidez, por todas as paixões pecaminosas, que o Cristo aludia, ao dizer: «Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra,
então é que virá o fim.» Esse fim, porém, para chegar, ocasionaria uma luta e é dessa luta que advirão os males por ele previstos.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Por que os judeus não aceitaram Jesus como o Messias prometido?

b) Como devem ser interpretadas as calamidades previstas por Jesus?

c) Como devemos entender o “fim do mundo”, alegoricamente anunciado por
Jesus?
CO N C L U S Ã O

O quadro do fim dos tempos predito por Jesus é evidentemente alegórico, como a maioria dos que compunha. Entretanto, sob essas alegorias, grandes verdades se ocultam, como a ocorrência de calamidades de todo gênero, decorrentes da luta suprema entre o bem e o mal; a da difusão, por toda a Terra, do Evangelho, restaurado na sua pureza primitiva; depois, ao reinado do bem. Será, verdadeiramente, o reino de Jesus, pois que ele presidirá à sua implantação, passando os homens a viver sob a égide da sua lei.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Por que os judeus não aceitaram Jesus como o Messias prometido?

R – Jesus encarnou no meio de inteligências ainda rudes. O povo de então era pouco esclarecido e esperava antes que o Messias prometido deveria vir com grande majestade, cercado de seus anjos e ao som de trombetas do que revestido de um
poder moral. Como explica Kardec, “por isso que esperavam no Messias um rei terreno, mais poderoso do que todos os outros reis, destinado a colocar-lhes a nação à frente de todas as demais e a reerguer o trono de David e de Salomão, não quiseram reconhecê-lo no humilde filho de um carpinteiro, sem autoridade material”. Por essa razão rejeitaram Jesus como o Messias
esperado, o que não impediu que ele se tornasse “o maior entre os grandes, … exclusivamente com a sua palavra e o concurso de alguns miseráveis pescadores, revolucionou o mundo e a ele é que os judeus virão a dever sua reabilitação. Disse, pois, uma verdade, quando, respondendo a esta pergunta de Pilatos: “És rei?» respondeu: «Tu o dizes.»”, conclui o Codificador.

b) Como devem ser interpretadas as calamidades previstas por Jesus?

R – As calamidades previstas por Jesus nas passagens evangélicas citadas neste capítulo constituem uma das muitas alegorias de que se utilizou para impressionar aquele povo, ainda fortemente preso às coisas materiais e com dificuldades para entender abstrações. Objetivava atingir o coração dos homens, para o que necessitava utilizar-se de fatos concretos, materiais e de uma linguagem forte, que os impressionassem. Mas estas alegorias não deixam de revelar grandes verdades. Primeiro, prediz calamidades que atingirão a humanidade, decorrentes da luta entre o bem e o mal, entre a fé e a incredulidade, as idéias
progressistas e as retrógradas. Estão aí as guerras passadas e presentes e as convulsões de vários tipos, provocadas pelas forças da Natureza, a confirmar esta predição.

Outra predição contida nesta passagem é a difusão do Evangelho por toda a Terra, restaurado na sua pureza primitiva, seguindo-se do reinado do bem, da paz e da fraternidade universais. Será o verdadeiro reinado de Jesus, pois ele é que presidirá à sua implantação, com a prevalência do seu código de moral evangélica, sob o qual os homens passarão a viver. Cumprir-se-ão, então, as suas palavras: “depois dos dias de aflição, virão os de alegria”. Quando se dará, ninguém o sabe, afirmou o próprio Cristo. Quando chegar o momento, os homens serão advertidos por meio de sinais precursores, que não virão dos astros, mas dos fenômenos de ordem moral. É claro que semelhante transformação não poderia se operar em vida dos apóstolos. No entanto, como Jesus lhes fala como se eles a houvessem de presenciar; é que poderão estar reencarnados quando se der e, até, colaborar na sua efetivação.

c) Como devemos entender o “fim do mundo”, alegoricamente anunciado pelo Cristo?

R – Como explica Kardec, não seria racional que, depois da Terra entrar no caminho do progresso moral pela prática dos ensinamentos evangélicos, como predito por Jesus, Deus viesse a destruí-la. As palavras de Jesus, portanto, devem ser
interpretadas em sentido figurado, como mais uma das alegorias de que se utilizou. Trazendo a prática do Evangelho grande melhora no estado moral dos homens, conseqüentemente, trará o reinado do bem e acarretará a queda do mal. Será, pois, o fim de um mundo velho, de um mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pelo fanatismo, pelas paixões inferiores, pela incredulidade. A este mundo é que o Cristo aludiu, ao dizer: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim.”

FONTE: CVDEE

O advento do consolador – Cairbar Schutel (Mensagem psicográfica recebida no dia 16.04.15, na FEB, por Marta Antunes)

O advento do consolador

O mundo passava por momentos decisivos, transformadores, oferecendo condições para o surgimento de uma nova humanidade. Ao mesmo tempo, ocorria o rompimento com idéias cristalizadas do passado no campo da religião e da cultura.

No século imediatamente anterior à Codificação foram lançados os alicerces da renovação do pensamento ocidental com os chamados iluministas que definiram uma arena de fermentação de ideais arrojados, apontando para um futuro glorioso no qual o homem assumiria o comando de si mesmo, aprendendo a valorizar a liberdade de pensar, falar e agir.

O século dezoito apresentou o início de uma nova era, propriamente dita. O homem foi sacudido pelo vendaval das mudanças ocorridas nos diferentes campos do saber humano. Discutiu-se muito, surgiram as ciências diversificadas tanto na área das relações humanas como nas voltadas para o estudo das conexões nervosas, com o objetivo de melhor compreender a mente. A religião, anteriormente abalada em seus fundamentos, encontrava-se oscilante; de um lado, entre católicos fielmente vinculados aos ditames da igreja de Roma ou aos renovadores da contra reforma protestante, os jesuítas, e, de outro, aos adeptos da igreja Reformada que, então, se auto intitulavam reformadores.

O Cristo era, então, o centro para onde convergiam todas as discussões, os debates, as disputas e as intrigas. Homens de fé, teólogos respeitáveis, ou simples sacerdotes eram tomados por um frenesi, uma agitação febril, muitas vezes doentia, sempre com o intuito de demonstrar a grandeza e a superioridade das interpretações teologais.

Entre estes, poucos se deixavam manter-se no silêncio e na oração, buscando Jesus no íntimo do ser. Angustiados, vezes sem conta se viam jogados de um lado para outro, como frágil barco na tempestade.

O século seguinte, o dezenove, nasceu desse caldo de idéias revolucionárias. Muitas rebeliões e revoluções surgiram, em conseqüência, no velho continente europeu para, ao final, delinear e organizar as nações do mundo atual. O século dezenove, o século das revoluções liberais, passou à história como uma época de construção civil, política, sobretudo religiosa.

Foi quando Jesus saiu dos altares e dos púlpitos, reuniu seus servos fieis e estabeleceu que era chegado o momento de materializar o Consolador, por Ele prometido, no mundo das formas. A Humanidade encontrava-se mais lúcida, já detinha valores morais e conhecimentos suficientes para começar a exercitar a lei de amor, explicitada no seu Evangelho de luz e amor.

Sob os sons vibrantes de novas clarinadas, uma etérea e argêntea luz espalhou-se pelo Planeta, e, um exército de servidores, constituídos por soldados devotados e compromissados com o Bem Maior, organizou uma invasão em todos os recantos, convidando a Humanidade para receber o Cristo no coração, servindo ao próximo, amando e protegendo-o.

Médiuns surgiram aos borbotões para trazer à Terra a mensagem Sublime do Céu. Em 18 de abril de 1857 um coro de Espíritos peregrinos, uniram-se em cântico celestial para fazer o mundo conhecer O Livro dos Espíritos. Livro imortal, gravado no infinito com chispas de luzes do coração amoroso do Senhor.

A Verdade chegou por meio do zelo, cuidado, amor e muito senso de responsabilidade do Sr. Hippolite Léon Denizard Rivail que, sob o impacto da luz e do amor de Jesus abstraiu-se de si mesmo, livrando-se daquela sua personalidade de mestre lionês para, então, se converter no humilde servidor, denominado Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos foi forjado, assim, nas oficinas divinas e continua representando o legado espiritual do Cristo para Humanidade.

Cairbar Schutel.

Mensagem psicográfica recebida no dia 16.04.15, na FEB, por Marta Antunes.

Hoje comemoramos 158 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec

Hoje comemoramos 158 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec

O Livro dos Espíritos (na língua francesa, Le Livre des Esprits) é o primeiro livro sobre a Doutrina Espírita, publicado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec. É uma das obras básicas do espiritismo.

Allan Kardec

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE – CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO – Segundo advento do Cristo (itens 43 e 46)

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO A GÊNESE
CAPÍTULO XVII

PREDIÇÕES DO EVANGELHO

Segundo advento do Cristo
(itens 43 e 46)

Segundo
advento do Cristo

43. – Disse então Jesus a seus discípulos: Se algum quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; – porquanto, aquele que quiser salvar a vida a perderá e aquele que perder a vida por amor de mim a encontrará de novo.

De que serviria a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Ou por que preço poderá o homem comprar sua alma, depois de a ter perdido? – Porque, o Filho do homem há
de vir na glória de seu Pai, com seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.

Digo-vos, em verdade, que alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que tenham
visto vir o Filho do homem no seu reino. (S. Mateus, cap. XVI, vv. 24 a 28.)

44. – Então, levantando-se do meio da assembléia, o sumo-sacerdote interrogou a Jesus desta forma: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? – Mas Jesus se conservava em
silêncio e não respondeu. Interrogou-o de novo o sumo-sacerdote: És o Cristo, o Filho de Deus para sempre Bendito? – Jesus lhe respondeu: Eu o sou e vereis um dia o Filho do homem assentado à direita da majestade de Deus e vindo sobre as nuvens
do céu.

Logo o sumo-sacerdote, rasgando as vestes, lhe diz: Que necessidade temos de mais testemunhos? (S. Marcos, cap. XIV, vv. 60 a 63.)

45. – Jesus anuncia o seu segundo advento, mas não diz que voltará à Terra com um corpo carnal, nem que personificará o Consolador. Apresenta-se como tendo de vir em Espírito, na glória de seu Pai, a julgar o mérito e o demérito e dar a cada um segundo as suas obras, quando os tempos forem chegados.

Estas palavras: «Alguns há dos que aqui estão que não sofrerão a morte sem terem visto vir o Filho do homem no seu reinado» parecem encerrar uma contradição, pois é incontestável que ele não veio em vida de nenhum daqueles que estavam presentes. Jesus, entretanto, não podia enganar-se numa previsão daquela natureza e, sobretudo, com relação a uma coisa contemporânea e que lhe dizia pessoalmente respeito. Há, primeiro, que indagar se suas palavras foram sempre reproduzidas fielmente. É de duvidar-se, desde que se considere que ele nada escreveu; que elas só
foram registradas depois de sua morte; que o mesmo discurso cada evangelista o exarou em termos diferentes, o que constitui prova evidente de que as expressões de que eles se serviram não são textualmente as de que se serviu Jesus. Além disso, é provável que o sentido tenha sofrido alterações ao passar pelas traduções sucessivas.

Por outro lado, é indubitável que, se Jesus houvesse dito tudo o que pudera dizer, ele se teria expressado sobre todas as coisas de modo claro e preciso, sem dar lugar a qualquer equívoco, conforme o fez com relação aos princípios de moral, ao passo que foi obrigado a velar o seu pensamento acerca dos assuntos que não julgou conveniente aprofundar. Persuadidos
de que a geração de que faziam parte testemunharia o que ele anunciava, os discípulos foram levados a interpretar o
pensamento de Jesus de acordo com aquela idéia. Assim é que redigiram do ponto de vista do presente o que o Mestre
dissera, fazendo-o de maneira mais absoluta do que ele próprio o teria feito. Seja como for, o fato é que as coisas não se passaram como eles o supuseram.

46. – A grande e importante lei da reencarnação foi um dos pontos capitais que Jesus não pode desenvolver, porque os homens do seu tempo não se achavam suficientemente preparados para idéias dessa ordem e para as suas conseqüências. Contudo, assentou o princípio da referida lei, como o fez relativamente a tudo mais. Estudada e posta em evidência nos dias atuais
pelo Espiritismo, a lei da reencarnação constitui a chave para o
entendimento de muitas passagens do Evangelho que, sem ela, parecem verdadeiros contra-sensos.

É por meio dessa lei que se encontra a explicação racional das palavras acima, admitidas que sejam como textuais. Uma
vez que elas não podem ser aplicadas às pessoas dos apóstolos, é evidente que se referem ao futuro reinado do Cristo, isto
é, ao tempo em que a sua doutrina, mais bem compreendida, for lei universal. Dizendo que alguns dos ali presentes na
ocasião veriam o seu advento, ele forçosamente se referia aos que estarão vivos de novo nessa época. Os judeus, porém, imaginavam que lhes seria dado ver tudo o que Jesus anunciava e tomavam ao pé da letra suas frases alegóricas.

Aliás, algumas de suas predições se realizaram no devido tempo, tais como a ruma de Jerusalém, as desgraças que se lhe seguiram e a dispersão dos judeus. Sua visão, porém, se projetava muito mais longe, de sorte que, quando falava do presente, sempre aludia ao futuro.

QUESTÕES
PARA ESTUDO

a) Como entender a afirmação de Jesus de que “alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que
tenham visto vir o Filho do Homem no seu reino”?

b) Qual o entendimento do Espiritismo com relação ao segundo advento do Cristo?
C O N C L U S Ã O

Jesus anuncia o seu segundo advento, mas não diz que voltará à Terra com um corpo carnal. Apresenta-se como tendo de vir
em Espírito, na glória de seu Pai, a julgar o mérito e o demérito e dar a cada um segundo as suas obras, quando os tempos forem chegados.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Como entender a afirmação de Jesus de que “alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que tenham visto vir o Filho do Homem no seu reino”?

R – Segundo Kardec, essa afirmação de Jesus parece encerrar uma contradição, pois ele não veio em vida de nenhum daqueles que estavam presentes, como afirmara. Indaga o Codificador se estas palavras de Jesus foram reproduzidas fielmente, pois, nada tendo deixado escrito, seus ensinamentos somente foram registrados algumas décadas após a sua crucificação e de maneiras diferentes pelos evangelistas.Além disso, tendo passado por sucessivas traduções, em idiomas diferentes, é possível que o sentido de suas palavras tenha sido interpretado de maneira diversa do que realmente foi dito.

Admitindo-se, contudo, como verdadeira, esta afirmação de Jesus somente pode ser entendida com o conhecimento da lei da reencarnação. É evidente que o futuro reinado do Cristo não era daquela época, como ele deixou claro. Somente se daria
quando sua doutrina fosse corretamente compreendida e se tornasse lei universal. Dizendo aos presentes que eles veriam
o seu advento, isto somente poderia se dar caso eles estivessem novamente presentes nesta época, numa nova existência
física, num novo corpo, o que somente pode ser compreendido com o conhecimento da lei da reencarnação. Tomando-se como verdadeira a teoria da unicidade das existências, Jesus teria se equivocado, ao fazer aquela promessa aos seus seguidores.

b) Qual a importância da reencarnação para o entendimento desta afirmação?

R – Sem o conhecimento da lei da reencarnação não é possível um entendimento racional desta afirmação. Não podendo ser aplicadas àquelas personalidades, pois é evidente que não estariam no segundo advento prometido. Ao dizer que alguns dos que ali se encontravam veriam o seu novo advento, Jesus se referia a que aqueles mesmos espíritos estariam nessa nova época, o que apenas através da reencarnação poderia acontecer.

c) Qual o entendimento do Espiritismo com relação ao segundo advento do Cristo?

R – Ao anunciar o seu segundo advento, Jesus não afirmou que voltaria num corpo carnal. Ao contrário, prometeu retornar “na glória de seu Pai, com seus anjos” e “vindo sobre as nuvens do céu”. Como vimos no estudo anterior, o Espiritismo realiza todas as condições do Consolador prometido, que não poderia ser uma individualidade, pois ficaria eternamente conosco. Assim, para o Espiritismo, o segundo advento do Cristo foi cumprido com a chegada do Consolador prometido, através do qual Jesus retornou para completar seus ensinamentos e elucidar o Evangelho.

FONTE: CVDEEc